Um desabafo sobre os primeiros dias no Canadá

por | set 23, 2016 | Dia a dia e adaptação

Faz nove meses que chegamos aqui. Considero que estamos muito bem adaptados. Não temos muito do que reclamar apesar da vida no exterior ser longe de perfeita.

A gente gosta de deixar claro que nem tudo são flores, que o emprego pode demorar a chegar, que o college pode ser bem pesado, que o inglês nos deixa cansados, que a gente também sente saudades e até que o streetcar é um sofrimento! Mas algumas coisas são fáceis deixar passar ou não dar tanta ênfase. A gente fala só “nossa, foi difícil”, mas aí ninguém entende o quanto.

Alguns dias atrás, um dos amigos que fiz num dos tantos grupos de Facebook sobre o Canadá, que acabou de chegar por aqui, me mandou uma mensagem “brigando” (com ênfase nas aspas dessa “briga”, hehe) comigo porque eu nunca avisei que os primeiros dias seriam tão difíceis. Na minha defesa, eu provavelmente avisei (e vou continuar me defendendo assim, haha). Me lembrava de já ter comentado isso individualmente com algumas pessoas ou nosso Snapchat… Mas ele estava certo. Falar “olha, vai ser chato, vai ser difícil…” é bem diferente que abrir o coração e contar exatamente como foi esse período.

Então, eu levei o papo e a brincadeira nossa a sério. Depois de rirmos juntos dessa vida trágica de imigrante, me abri no Snapchat e falei bastante dessa fase e as respostas que tive foram de outras pessoas que estavam passando por essa fase e se sentindo péssimas porque achavam que eram as únicas pessoas experimentando isso.

Isso tudo foi pra explicar porque de eu estar fazendo esse desabafo, ainda mais tanto tempo depois. Até porque quando eu digo que é sobre os primeiros dias no Canadá, eu realmente quero dizer dos primeiros dias. Aquelas primeiras duas semanas ou primeiro mês por aqui. Então, se prepara, que vai ter textão.

Primeiros dias em Toronto

Quando a gente pisa fora do aeroporto, dá uma sensação de alívio muito breve por termos passado pela fase de preparação, visto e chegada ao Canadá. Porque rapidinho já vem aquele medo do incerto: ainda tem muita coisa a ser resolvida.

O principal pra quem chega, e foi assim com a gente, é encontrar onde morar. Acho que isso é mais forte pra quem vem em família, que vai alugar o próprio imóvel e tem que fazer isso tudo do zero e sem saber muito o que esperar.

E essa espera é o que mata. É dessa espera que eu quero falar.

Não viemos pra Toronto como turistas. Nos primeiros dias, nós mal vimos a CN Tower, não patinamos na Nathan Phillips Square, não conhecemos nenhum museu. Mas também não parecia que morávamos aqui. Não tínhamos a nossa cama ou guarda-roupa, não sabíamos nem onde ficavam os garfos na mini cozinha do Airbnb, não tínhamos rotina…

Então, ao mesmo tempo que estávamos hospedados num local temporário como em uma viagem, tudo que resolvíamos era burocrático e completamente diferente do que faríamos numa viagem. Nossas preocupações eram com a nossa sobrevivência aqui. E essa é uma preocupação muito forte pra se ter!

Eu me sentia numa espécie de limbo. Eu não morava aqui, não estava passeando aqui… e eram os dias mais cruciais de toda essa nossa “aventura canadense”. A gente levou razoavelmente pouco tempo para encontrarmos um imóvel, foi tudo em menos de duas semanas. Mas é incrível como esse tempo parece muito mais e como as coisas mais bobas parecem ser extremamente importantes e cruciais.

Não tô nem falando de passar perrengue, de passar fome, frio ou de não ter dinheiro. Não tô falando de sofrimento real. Tô falando do emocional. Isso que é o mais difícil de entender e explicar. E acho que é por isso que é algo que falta falar, porque é algo que depois que passa parece bobeira demais!

Nossas emoções ficam tanto à flor da pele que basta ver um apartamento e não gostar ou não dar certo que parece que tuuuudo está indo por água abaixo. Que drama, né? Mas é verdade.

É uma grande divisão de sentimentos, porque estávamos MUITO felizes por estarmos aqui, mas naqueles dias especificamente, a gente não tava muito feliz, tudo estava muito pesado. E aí a gente se sente culpado por não estar feliz naquele minuto, porque a gente se sente na obrigação disso!

tudo parece bobeira depois porque realmente PASSA. E quando passa, a gente deixa pra lá… Tudo que sentimos é que é algo que por mais que alguém venha com todo o dinheiro do mundo, ainda vai passar por isso. É simplesmente o medo do desconhecido, do não saber como o dia vai ser amanhã.

Por que estamos compartilhando isso

Pra muita gente isso pode ser bobeira e já tô até imaginando gente pensando que isso aconteceu porque nós não estávamos preparados, ou porque essa vida não é pra gente, ou sei lá mais o que… Mas acho que o ponto é que por mais que você tente se preparar, é sempre diferente quando a gente sente na pele. Acho também que isso não deve acontecer com todo mundo, ou que algumas pessoas passem por outra dificuldade inicial.

Mas resolvi compartilhar isso porque se alguém passar por isso, quero que saibam que não é só você e que isso PASSA! O que também não quer dizer que a vida é perfeita depois disso, pois sempre tem o próximo perrengue… 😉

Então, não se sinta culpado ou sozinho no mundo se a vida não parecer maravilhosa automaticamente depois de sair do avião. Foque no que tem que ser resolvido, não se esqueça de curtir um pouco a cidade e lembre-se que todo mundo exige adaptação ao chegar aqui.

 

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